7 passos para ser boa pessoa

Não existe uma fórmula mágica para ser boa pessoa. E, talvez, seja esse o primeiro ponto deste guia: o caminho não está escondido num livro antigo, nem nas entrelinhas de um tratado moral. Está ali, à vista de todos, quase constrangedoramente óbvio. E, ainda assim, tão fácil de esquecer. Acredito piamente que este guia está ao alcance de todos, mas também aceito que há algo aqui que nos será inato.

Ser boa pessoa nasce connosco. Sabem aquelas pessoas que a presença transmite calma, segurança e os espaços parecem como que mais iluminados com a sua presença? Que têm o dom de tornar tudo mais leve, mais divertido, melhor? Genericamente, isto não é uma construção. Não acredito nisso. Podemos trabalhar a musculatura da leveza e até da bondade. Podemos viajar e conhecer o mundo e assim sair da nossa bolha, para que nos seja mais fácil ver sempre, em todos os momentos, que o mundo é bué de cenas e assim trabalhar a leveza com que vemos as coisas. Mas há uma coisa que não nasce connosco mas que é possível que passe por tal: querermos ser melhores todos os dias. Ao fim de um tempo seremos diferentes, melhores. E aqui, basta querer.

Ser boa pessoa não é o mesmo que ser uma pessoa boa.

Vamos à prática, já que esta teoria é, além de só mesmo uma teoria, válida se tiver a sua aplicabilidade. A primeira pode parecer uma ação momentânea, a que diria que nasce connosco. A segunda — a pessoa boa — é uma essência em construção. Um esforço diário, feito de pequenas escolhas, pequenos silêncios, pequenos gestos. Uma forma de estar no mundo que não precisa de palco. Vamos a alguns exemplos?

1. Ouvir. Ouvir de verdade.
É talvez a maior qualidade de uma pessoa boa: saber ouvir. Sem preparar a resposta enquanto o outro fala. Sem correr para o julgamento. O mundo seria mais leve se, em vez de sermos rápidos a responder, fôssemos mais pacientes a compreender. E só depois tentar perceber o que podemos dizer que contribua positivamente para a conversa. E dizer apenas, “gostava de te dizer alguma coisa que pudesse ajudar, mas não sei o que dizer”, também é uma forma de empatia.

2. Não julgar.
Não se trata de não dar uma opinião, mas de dar espaço à dúvida, de calçar os sapatos do outro. Aceitar que as pessoas são todas diferentes, têm personalidades diferentes e formas de estar diferentes. Ser franco, sim. Mas com justiça. Com cuidado, com consciência do impacto.

3. Ser justo. Sempre.
Mesmo quando não é conveniente. Mesmo quando ninguém está a ver. Justiça é o exercício silencioso da ética. É escolher o certo quando o fácil está ao lado. É não prejudicar, ainda que se tenha mais a ganhar.

4. Pôr o outro em primeiro lugar
Não se trata de nos apagarmos ou de sermos mártires emocionais. Ser boa pessoa é ter empatia suficiente para, quando possível, deixar o outro passar à frente. E sabedoria suficiente para saber quando isso nos fere. Bondade sem limites não é virtude; é negligência de si próprio. E sermos boas pessoas não é só com os outros, é connosco próprios, também. Sermos exigentes com o que queremos ser e fazer mas também gentis no processo e na auto-cobrança.

5. Estar pronto a ajudar.
Se podemos, ajudamos. Sem esperar medalhas nem retorno. Sem transformar em currículo. A bondade verdadeira é discreta, quase invisível. Mas é instantânea! É o pensamento #1 (mas aqui, também pode ser fruto do tal exercício…). E deixa marcas — profundas.

6. Ser leve. Saber distinguir os pesos.
Nem tudo é o fim do mundo. Problemas sérios são os que nos roubam a saúde, o sono ou a dignidade. O resto são assuntos para resolver — que só pedem coragem, paciência e resiliência. Ser boa pessoa também é saber rir de si próprio e não deixar os outros desconfortáveis com os nossos dramas nem exigir dos outros a responsabilidade de nos ajudarem.

7. Fazer a coisa certa. Sempre! Mesmo quando ninguém está a ver.
Esse é talvez o teste mais silencioso da bondade: o que fazemos quando ninguém repara. A boa pessoa faz o certo não por medo ou validação, mas porque não saberia viver de outra forma.

Este guia não pretende moralizar. Pretende lembrar que ser boa pessoa não exige uma espécie de santidade — exige atenção. Esta sim religiosa. Atenção aos outros, aos nossos limites, às pequenas escolhas do dia-a-dia. À delicadeza de existir em conjunto.

E talvez, só talvez, se todos o fizéssemos mais vezes, poderíamos não resolver o mundo mas torná-lo-íamos certamente (e infinitamente) melhor.

Parabéns, Ricardinho. Pelo teu aniversário e por seres uma boa pessoa e uma pessoa boa. Foste a minha grande inspiração para escrever este texto, em que de certeza te revês a 100%. Que sorte a minha por querer ser todos os dias melhor para estar à tua altura.

#TheGlitterDream